Ela sabia que não devia ter ido àquela festa. Mas a irmã insistiu, disse que o presidente ia aparecer. Lá foi ela para o motel à beira-mar. A irmã estava ao lado de um tipo estranho, a segurar-lhe…

Ela sabia que não devia ter ido àquela festa. Mas a irmã insistiu, disse que o presidente ia aparecer. Lá foi ela para o motel à beira-mar. A irmã estava ao lado de um tipo estranho, a segurar-lhe...

Ela sabia que não devia ter ido àquela festa. Mas a irmã insistiu, disse que era importante, que o presidente ia aparecer. E lá foi ela, para aquele motel à beira-mar, com música alta e gente que não conhecia. A irmã estava sentada ao lado de um tipo que ela nunca tinha visto.

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O tipo ria, bebia, e a irmã segurava-lhe a mão. Ela aproximou-se. — O que é que estás a fazer? — perguntou.

— Estou a conversar — respondeu a irmã, sem largar a mão. — Com quem? — Com o gajo que vai resolver a nossa vida. Ela não gostou do tom.

Não gostou do sorriso do tipo. Nunca gostara de gente que prometia mundos e fundos sem mostrar provas. O presidente chegou perto da meia-noite. Vinha com uma comitiva, todos de fato escuro, todos com ar de quem manda.

Fez um discurso rápido, falou em parcerias, em crescimento, em futuro. Ela ouviu sentada, com um copo de água na mão. A irmã desapareceu durante o discurso. Ela procurou-a pelos cantos, pela piscina, pelo estacionamento.

Nada. Voltou para a sala principal e viu o tipo que segurava a mão da irmã a falar ao ouvido do presidente. O presidente acenava, sorria. Pareciam cúmplices.

Ela sentou-se na borda do palco, onde um cantor desafinado tentava entoar uma canção que ninguém conhecia. O nome da música, ouviu alguém dizer, era *Sideway*. Uma canção triste, sobre perdas e promessas quebradas. Quando a música acabou, o presidente subiu ao palco e pegou no microfone.

— Quero agradecer ao nosso parceiro, o homem que tornou isto possível — disse, apontando para o tipo que tinha estado com a irmã. A irmã apareceu ao lado do tipo, sorridente, com um vestido novo que ela nunca vira. A irmã abraçou-o, e o tipo beijou-a na testa. Ela levantou-se.

— Que parceiro? — gritou do fundo da sala. O silêncio caiu. O presidente hesitou.

O tipo encarou-a. — A tua irmã não te contou? — perguntou o tipo, com um sorriso que não lhe tocava nos olhos. — Vamos casar.

E vamos ficar com o negócio da família. Ela sentiu o corpo a gelar. O negócio da família era dela. Tinha sido sempre dela.

A irmã nunca quis saber, nunca se interessou. Até agora. — Não podes — disse ela, a voz a tremer. — Já está decidido — respondeu a irmã, sem a olhar nos olhos.

— O presidente aprovou. O presidente baixou o microfone e saiu do palco, escoltado pelos seguranças. A festa continuou, mas ninguém dançava. As pessoas olhavam para ela, para a irmã, para o tipo.

Ela virou costas e foi para a praia. A areia molhada colava-se aos sapatos. O mar estava escuro, quase preto. Ouviu passos atrás de si.

Era a irmã. — Desculpa — disse a irmã, com a voz a tremer. — Desculpa? — Ela riu-se, sem vontade.

— Vendeste o meu negócio ao teu noivo. Ao presidente. A quem mais? — Não foi vender.

Foi… unir forças. — Unir forças? Tu nunca quiseste unir nada.

Tu quiseste o dinheiro. O poder. A irmã ficou em silêncio. Depois, baixou a cabeça e disse:

— Se não aceitares, ele vai-te tirar tudo.

— Já tirou. A irmã tentou tocar-lhe no ombro. Ela afastou-se. — Não te chega?

— perguntou ela. — Não te chega teres-me roubado a confiança? A irmã chorou. Mas ela não se comoveu.

Voltou para a festa. O presidente já tinha ido embora. O tipo estava sentado sozinho, a beber. Ela sentou-se à sua frente.

— Quanto? — perguntou. — Quanto quê? — Quanto é que te pagaram para fazer a minha irmã acreditar que eras o salvador?

O tipo riu-se, baixinho. — Não percebes nada, pois não? — disse ele. — A tua irmã sempre quis sair da vossa sombra.

Sempre quis ser alguém. Eu só lhe mostrei o caminho. — Mostraste-lhe o caminho para a perdição. — Ela escolheu.

Ela levantou-se e foi para casa. Passaram semanas. A irmã não ligou. O tipo não ligou.

O presidente não ligou. O negócio começou a definhar. Os clientes foram embora. Os empregados saíram.

Ela ficou sozinha no escritório, a olhar para os papéis vazios. Um dia, a irmã apareceu à porta. Vinha sem o tipo. Vinha sozinha, com uma mala.

— Ele foi preso — disse a irmã, a voz fria. — Fraude. O presidente também. — E o negócio?

— Perdemos tudo. Elas sentaram-se no chão do escritório, uma de frente para a outra. — Desculpa — repetiu a irmã. Desta vez, ela não se afastou.

— Agora o que é que fazemos? — perguntou. A irmã encolheu os ombros. — Podemos começar de novo.

Mas sem mentiras. Ela olhou para a janela. O sol estava a nascer. — Sem mentiras — repetiu.

E estendeu a mão.