Ela matou a família dele. Ele casou-se com ela para se vingar. Mas o amor aconteceu. A banca de ervas de Marta foi cercada pelos capangas da clínica Folha Verde. Ela mentiu sobre o Duque de…

Ela matou a família dele. Ele casou-se com ela para se vingar. Mas o amor aconteceu. A banca de ervas de Marta foi cercada pelos capangas da clínica Folha Verde. Ela mentiu sobre o Duque de...

Os capangas do chefe da clínica Folha Verde cercaram a banca de ervas da Marta. — Abre esses olhos cegos, velha bruxa. As tuas ervas são uma porcaria e ainda cobras uma fortuna. Marta não recuou.

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— O Duque de Wellington vem amanhã buscar a receita do meu marido para as enxaquecas. Se não me largarem, vão responder a ele. Os homens hesitaram. O Duque era poderoso.

Foram-se embora resmungando. Quando chegaram a casa, Marta desabou. — Inventei a história do Duque. Mas não tarda, eles voltam.

Precisamos de um plano. Arthur, o marido, olhou para Clara. Ela estava calada. Sabia que aquela paz não duraria.

No dia seguinte, os capangas voltaram. Derrubaram a porta. O chefe entrou com arrogância. — A enxaqueca do Duque foi curada há cinco anos.

Mentiste, velha. Hoje vais pagar. Marta foi agarrada. Lilian, a filha de seis anos, começou a chorar.

— Larga a minha avó, seu malvado! O chefe riu-se. — Calma, pequena. És a próxima.

Clara segurou uma vassoura partida. — Larga-os. — O que vais fazer com isso, rapariga? Ela moveu-se.

Rápida. Precisa. Três homens caíram no chão, os ossos a estalar. O chefe escorregou e estatelou-se.

— As minhas costelas! Os outros fugiram. Arthur olhou para ela. Conhecia-a há três anos.

Nunca a vira lutar. — Como fizeste aquilo? — Li num livro de medicina. Pontos de pressão no corpo.

Ele não acreditou. Naquela noite, um homem entrou na clínica. — Escarlate. Há quanto tempo.

Clara gelou. — Enganaste-te de pessoa. — Não me engano. O Sindicato Sussurro enviou-te uma mensagem.

O mestre quer-te de volta. Arthur interrompeu. — A minha esposa é uma fitoterapeuta. Não é ninguém do teu sindicato.

O homem riu-se. — És ainda mais parvo do que pareces. Ela é uma assassina de nível celestial. Atacou.

Clara defendeu-se, mas era mais forte do que ele. No fim, o homem caiu morto. Arthur olhou para o corpo. — Quem és tu, Clara?

Ela sentou-se, as mãos a tremer. — Cresci no Sindicato Sussurro. Fui treinada para matar desde criança. Tornei-me a melhor assassina deles.

Mas nunca quis aquilo. Queria ser normal. Mudei de rosto, fugi, casei contigo. Pensei que tinha escapado.

Arthur ficou em silêncio. — Se quiseres o divórcio, percebo. As minhas mãos estão manchadas de sangue. Ele ajoelhou-se ao lado dela.

— A assassina chamava-se Escarlate. Tu és a minha esposa Clara. São a mesma pessoa. E eu escolho a Clara.

Nos dias seguintes, o Sindicato Sussurro apertou o cerco. O mestre, Victor, enviou mais assassinos. Clara sabia que não podia fugir para sempre. — Preciso de ir ter com ele.

Acabar com isto. — Vou contigo. — Não, Arthur. És um médico.

Não és um lutador. — Depois de tudo o que passámos, ainda achas que te vou deixar ir sozinha? Ela acabou por ceder. No santuário lunar, Victor esperava.

— Escarlate. Ou devo chamar-te Clara? Finalmente voltaste para casa. — Não volto para lado nenhum.

Liberta os assassinos do teu controlo. — Não tens poder para me exigir nada. — Tenho o elixir da imortalidade. Victor hesitou.

O elixir era a sua obsessão. — Onde está? — Em segurança. Quando libertares todos, dou-to.

— Estás a enganar-me. — Podes descobrir por ti próprio. Victor atacou. Clara defendeu-se, mas ele era mais forte.

No meio da luta, uma figura entrou. Arthur. O mestre riu-se. — O médico veio salvar a esposa?

Que comovente. Arthur avançou. Os seus movimentos eram precisos. Letais.

— Tu não és um médico qualquer. — Sou Arthur Pendelton. Filho do chanceler Pendelton. Aquele cuja família inteira foi massacrada pelo Sindicato Sussurro.

Clara parou. — Tu sabias? Arthur olhou para ela. — Soube desde o primeiro dia.

— Casaste-te comigo por vingança. — No início, sim. Queria vingar a minha família. Mas depois conheci-te.

Conheci a Clara, não a Escarlate. Apaixonei-me. Victor riu-se. — Que belo casal.

Mas a verdade está entre vocês. Ela matou a tua família. Tu casaste com ela para a destruir. Não há amor nenhum.

Clara sentiu o chão fugir-lhe. — Arthur… o que é que queres de mim? — Quero o elixir.

— Para quê? — Para acabar com isto. No meio do confronto, uma das assassinas leais a Clara envenenou Victor. O mestre caiu.

Mas antes de morrer, ativou o parasita alfa que controlava todos os assassinos. Clara sentiu o veneno a entrar-lhe no sangue. — Arthur… o elixir…

toma-o. — Tu estás a morrer. — O elixir pode salvar-me. Mas também pode salvar os outros.

Dá-o a quem precisa. Arthur hesitou. — Não, amor. É para ti.

Ele deu-lhe o elixir. Clara recuperou. Victor morreu. O Sindicato Sussurro foi desmantelado.

Os assassinos foram libertados. Arthur e Clara voltaram para casa. A clínica estava à espera deles. Marta abriu a porta.

— Onde estiveste, rapariga? Andámos todos preocupados. Lilian correu para os braços da mãe. — Mãe, não vás mais embora!

Clara olhou para Arthur. — Já não vou. Ele sorriu. — Isto é a nossa casa.

Ela aninhou-se contra ele. — Promete-me uma coisa. — Tudo. — Nunca mais me mintas.

— Prometo. E, pela primeira vez em anos, ela sentiu que podia ser feliz.